Baixas temperaturas elevam risco ao arroz
Safra de arroz avança com atenção ao clima
Foto: Divulgação
O cultivo de arroz apresenta 57% das lavouras em desenvolvimento vegetativo no Rio Grande do Sul, 34% em floração e 9% em formação e enchimento de grãos, segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (29). O período foi caracterizado por elevada disponibilidade de radiação solar, condição que, de acordo com o relatório, é “favorável ao crescimento vegetativo, à diferenciação reprodutiva e ao acúmulo de fotoassimilados”.
Apesar do cenário, o documento alerta para os efeitos das baixas temperaturas registradas no Estado. A ocorrência de mínimas inferiores a 15 °C em grande parte do território gaúcho, e abaixo de 10 °C em áreas da região da Campanha, coincidiu com fases sensíveis do ciclo da cultura, o que “elevou o risco de esterilidade de espiguetas”, especialmente em lavouras em pré-floração e floração plena.
As condições hídricas seguem, de modo geral, adequadas, com reservatórios e mananciais garantindo a continuidade da irrigação. Ainda assim, o Informativo aponta redução dos níveis em rios e barragens, atribuída à elevada demanda evaporativa e à menor frequência de chuvas. O manejo da água, a adubação nitrogenada em cobertura e o controle de plantas daninhas e doenças permanecem como práticas prioritárias.
No aspecto fitossanitário, houve registro pontual de brusone em áreas submetidas a maior umidade relativa e nebulosidade no final de dezembro e início de janeiro, o que, segundo o relatório, “reforça a necessidade de monitoramento fitossanitário”, sobretudo em lavouras em estádio reprodutivo.
A área cultivada com arroz está estimada em 920.081 hectares, conforme o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), e a produtividade prevista é de 8.752 kg por hectare, segundo a Emater/RS-Ascar. Na região administrativa de Bagé, cerca de 40% das lavouras estão em floração e 4% no início do enchimento de grãos, enquanto as demais se encontram em desenvolvimento vegetativo avançado. O Informativo destaca que as baixas temperaturas “podem prejudicar a produtividade, se houver eventual esterilidade de espiguetas”.
Em Uruguaiana, observa-se redução dos níveis do Rio Uruguai e de seus afluentes, embora as barragens ainda apresentem volumes suficientes para suprir a irrigação até o final do ciclo. Também há registro de brusone em áreas que passaram por períodos prolongados de nebulosidade e umidade elevada. Segundo cooperativa local, há demanda das agroindústrias pelo grão, mas os produtores estão retendo o produto, aguardando a elevação dos preços para comercialização.
Na região de Pelotas, 69% das áreas estão em estágio vegetativo, 29% em floração e 2% em enchimento de grãos, com a elevada radiação solar favorecendo o desenvolvimento das plantas. Em Arroio Grande, a Barragem do Chasqueiro opera com cerca de 52% da capacidade. Já em Herval e Jaguarão, a combinação de tempo seco e ventos intensos tem acelerado a perda de umidade superficial do solo, exigindo maior atenção ao manejo da lâmina de irrigação.
Na região de Santa Maria, aproximadamente dois terços das lavouras estão em fase reprodutiva. As condições térmicas mais baixas no início do período coincidiram com estádios críticos em parte das áreas, o que “pode repercutir sobre a fertilidade das espiguetas”. Em Santa Rosa, as lavouras apresentam desenvolvimento favorecido pela elevada insolação, com disponibilidade hídrica ainda satisfatória, embora já se observe início de restrição em mananciais de menor porte. Em Soledade, 65% das áreas estão em desenvolvimento vegetativo, 30% em floração e 5% em enchimento de grãos, com chuvas regulares garantindo níveis adequados nos reservatórios e continuidade dos tratos culturais.